O título desta postagem não é meu. Da mesma maneira como declarou Cândido de Figueiredo(1), em Vícios da linguagem médica, p.7, livro publicado em 1910, que o título da obra não era seu, mas de Pedro Antônio Basílio(2), médico fluminense, que publicara, em 1904, Vícios de nossa linguagem médica, “emprestei” de Umberto Eco(3) o título desta postagem.
Guardadas as corretas e legítimas proporções, penso que, durante a redação da tese e do artigo científico, o pesquisador pode evoluir em muitos campos. A redação científica é tarefa imprescindível à vida acadêmica. Relatórios e outros documentos técnico-científicos serão redigidos por toda a vida. O valor da escrita científica é mais acentuado para aqueles que pretendem seguir carreira acadêmica.
Na minha atividade profissional, observo como os universitários e os pesquisadores experientes assimilam a redação científica e também como ela é colocada em prática. Detalhei o processo e a prática em livros que pretendo publicar.
A redação da tese e do artigo científico é desafio às habilidades e ao conhecimento do pesquisador. Quando se escreve sobre algo que se conhece muito bem na prática, mas o conhecimento teórico é sofrível, a redação passa a ser medíocre para quem escreve (pesquisador) e maçante para quem lê (orientador, banca examinadora, editores). Por que se preocupar com a banca examinadora quando se tem apenas recortes que “podem” servir para uma dissertação ou tese? É nesse ponto que muitos pesquisadores comprometem-se e ferem a ética em dois momentos capitais:
1. Nos Resultados, forjam dados e alteram procedimentos para adaptá-los ao Método;
2. Não garantem validade interna e, entre outros desvios, desrespeitam certas regras, em especial quanto às citações diretas e (indiretas) paráfrases, afora cometerem equívocos, como estrutura orgânica desconexa, relações errôneas ao mencionar os autores, citações “fabricadas” e referências sem conexão com as citações indicadas.
Uma dúvida: seria mais proveitoso para os membros da banca, comunidade científica e sociedade refletir com o pesquisador sobre esses pontos que repetir o velho chavão "Perdoe-me, porém, sua citação não está de acordo com as normas".
Uma dúvida: seria mais proveitoso para os membros da banca, comunidade científica e sociedade refletir com o pesquisador sobre esses pontos que repetir o velho chavão "Perdoe-me, porém, sua citação não está de acordo com as normas".
O pesquisador que age dessa maneira não se coloca no lugar do leitor, porque tais atitudes provocam erros em cascata aos graduandos desavisados e pesquisadores iniciantes que “bebem” em teses, algumas vezes, infundadas.
Planejar, redigir e apresentar tese é habilidade que se conquista. Ela diz muito sobre você! Espelha sua criatividade, anos de leitura, valores, dinamismo, conhecimento, personalidade, ética...
Redigir texto científico talvez seja um dos mais importantes ganhos obtidos na universidade, tanto para os estudantes quanto para os pesquisadores. Comunicar-se por meio de artigo científico e de tese está na moda, porque o mercado de trabalho é cada vez mais competitivo.
1. Figueiredo, Cândido. Vícios da linguagem médica. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1910.
2. Basílio, Pedro Antônio. Vícios da nossa linguagem médica. Rio de Janeiro: Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1904.
3. Eco, Umberto. Come si fa una tesi di laurea. Le materie umanistiche. XVIII ed. Milano: Tascabili Bompiani, 2006.
Pedro Reiz







