domingo, 11 de abril de 2010

Como se faz tese e artigo científico (primeira parte)

O título desta postagem não é meu. Da mesma maneira como declarou Candido de Figueiredo(1), em Vícios da linguagem médica, p.7, livro publicado em 1910, que o título da obra não era seu, mas de Pedro Antônio Basílio(2), médico fluminense, que publicara, em 1904, Vícios de nossa linguagem médica, “emprestei” de Umberto Eco(3) o título desta postagem.

Guardadas as corretas e legítimas proporções, penso que, durante a redação da tese e do artigo científico, o pesquisador pode evoluir em muitos campos. A redação científica é tarefa imprescindível à vida acadêmica. Relatórios e outros documentos técnico-científicos serão redigidos por toda a vida. O valor da escrita científica é mais acentuado para aqueles que pretendem seguir carreira acadêmica.

Na minha atividade profissional, observo como os universitários e os pesquisadores experientes assimilam a redação científica e também como ela é colocada em prática. Detalhei o processo e a prática em livros que pretendo publicar.

A redação da tese e do artigo científico é desafio às habilidades e ao conhecimento do pesquisador. Quando se escreve sobre algo que se conhece muito bem na prática, mas o conhecimento teórico é sofrível, a redação passa a ser medíocre para quem escreve (pesquisador) e maçante para quem lê (orientador, banca examinadora, editores). Por que  se preocupar com a banca examinadora quando se tem apenas recortes que “podem” servir para uma dissertação ou tese? É nesse ponto que muitos pesquisadores comprometem-se e ferem a ética em dois momentos capitais:

1. Nos Resultados, forjam dados e alteram procedimentos para adaptá-los ao Método;
2. Não garantem validade interna e, entre outros desvios, desrespeitam certas regras, em especial quanto às citações diretas e (indiretas) paráfrases, afora cometerem equívocos, como estrutura orgânica desconexa, relações errôneas ao mencionar os autores, citações “fabricadas” e referências sem conexão com as citações indicadas.
Uma dúvida: seria mais proveitoso para os membros da banca, comunidade científica e sociedade refletir com o pesquisador sobre esses pontos que repetir o velho chavão "Perdoe-me, porém, sua citação não está de acordo com as normas".
O pesquisador que age dessa maneira não se coloca no lugar do leitor, porque tais atitudes provocam erros em cascata aos graduandos desavisados e pesquisadores iniciantes que “bebem” em teses, algumas vezes, infundadas.

Planejar, redigir e apresentar tese é habilidade que se conquista. Ela diz muito sobre você! Espelha sua criatividade, anos de leitura, valores, dinamismo, conhecimento, personalidade, ética...

Redigir texto científico talvez seja um dos mais importantes ganhos obtidos na universidade, tanto para os estudantes quanto para os pesquisadores. Comunicar-se por meio de artigo científico e de tese está na moda, porque o mercado de trabalho é cada vez mais competitivo.

1. Figueiredo, Candido. Vícios da linguagem médica. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1910.
2. Basílio, Pedro Antônio. Vícios da nossa linguagem médica. Rio de Janeiro: Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1904.
3. Eco, Umberto. Como si fa una tesi di laurea. Le materie umanistiche. XVIII ed. Milano: Tascabili Bompiani, 2006.

Pedro Reiz 

10 comentários:

  1. Olá, Pedro! Interessante o sua postagem, aguardo a continuação. Bjos. Inaye B.

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  2. Pedro, eu gostei de três coisas da sua postagem. A primeira é quando vc falou sobre a importância do texto bem escrito, pois a gente usa isso a vida inteira. A segunda foi quando vc falou sobre as habilidades e conhecimentos para se escrever. Acho que as pessoas se envolvem com tantas porcarias e ficam enviando emails tipo corrente uns para os outros porque não querem desenvolver habilidades nem procuram ampliar os conhecimentos.
    O último ponto que achei importante foi quando vc falou sobre provocar erro em cascata quando alguém acha que uma informação está certa só porque viu numa tese, mais não está.
    Abraços

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  3. jacqueline Silvadomingo, 18 abril, 2010

    Olá Pedro,
    Gostei muito da sua postagem e também creio que a redação cientifica seja uma das coisas mais importantes que desenvolvemos na universidade! Continue nos enviando suas ótimas postagens!
    Beijos.
    Jacqueline Silva

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  4. Sinu sait on väga oluline kõigile portugali keeles lõputöö, teadustöö kirjutajatele. Soovin edu selle arendamisel! Parabéns! K.Kuusk

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  5. Só para acrescentar. Como fica fácil pegar um texto pronto e dizer que pode ser melhorado aqui e ali. Difícil e desenvolver o trabalho, escrever linha por linha...
    Beijos
    Cláudia

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  6. Concordo com a Cláudia. Fazer é difícil, falar é fácil e é isso que tenho assistido por aí, que pena.
    Mara Lúcia

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  7. Pedro, nesta postagem vc fala sobre forjar dados e outras faltas que vejo alguns colegas de mestrado e doutorado cometerem. Tem alguma maneira de evitar isso?
    Tais Martins

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    Respostas
    1. Oi Tais. Tem sim. Acompanhe comigo o seguinte raciocínio. Os Resultados, que nem sempre eram os esperados, quando analisados sem preconceito e de modo honesto, podem revelar novas descobertas. Em determinadas situações falta maturidade científica, condições para analisar os Resultados e habilidades para redigi-los com criatividade.

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  8. Oi Pedro, adorei Redação científica moderna, traz um novo olhar sobre o que é considerado tradicional e imutável. Muito bom. Juliana Sanches :)

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  9. ...É como disse a Inaye B., também espero a continuação. Victor Ferreira Lima

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